Reféns do crack, jovens utilizam quadra como ponto de drogas PDF Imprimir E-mail
Eventos
Sex, 20 de Agosto de 2010 14:44

Crianças e jovens com a infância e adolescência perdida, roubadas pelo poder destruidor causado pelas drogas. O começo do vício é sempre parecido. Primeiro é o consumo de maconha, depois vem à cocaína. O crack é o próximo passo. Ele é devastador, não escolhe cor, gênero, classe social ou religião. Com poder avassalador, invadiu a sociedade, quebrou regras, transpôs limites e escraviza milhares de pessoas.

Dependentes deixam aos poucos o convívio familiar, amigos e trabalho. O crack é descrito pelos usuários como uma “droga egoísta”. A imagem das ruas é bem conhecida.  Em Salgueiro, no bairro Nossa Senhora Aparecida, conhecido pelo Purão, a bola que rolava na quadra esportiva cedeu espaço para o uso e comercialização do crack. A baixa iluminação da quadra também é um fator que colabora.

Entrevistamos um adolescente, de 16 anos, que há três anos entrou no mundo das drogas. Segundo o jovem, mais de 30 pessoas utilizam a quadra para o mesmo fim, o consumo das drogas. “É tanta gente, que não sei contar”.

quadraesportivapurao350x250

Ele diz que iniciou com a maconha, mas que atualmente utiliza apenas o crack. “Comecei bebendo e cheirando (cocaína). Os amigos me indicaram a pedra (crack). O efeito é melhor. Ela deixa com a sensação de 'lombrado'”, falou em alusão ao crack.

Segundo ele, os familiares sabem que o jovem passa quase todas às noites usando drogas, porém, até este momento, nada fizeram. O usuário diz que tem vontade de voltar a estudar. “Tenho vontade, mas já esperei muito tempo para que isto acontecesse. Nunca chegou. É melhor ficar no crack”, disse.

Informando que não trabalha, perguntamos como ele faz para adquirir a droga. “Tem vez que saiu com os amigos para roubar. A gente marca o local para nos encontrar. Roubamos e depois vendemos o que conseguimos”. Para alimentar o vício, o jovem diz que, às vezes, fica devendo aos traficantes e que já foi prometido de morte. “Já fui, inclusive, ameaçado”.

Em alguns momentos da entrevista, o jovem foi indagado sobre a possibilidade de largar as drogas. As respostas mudaram todas às vezes. No início, ele respondeu que não gostaria. E no final da entrevista, ele falou que se recebesse a ajuda de alguém, tentaria deixar o vício.

Surgido nos Estados Unidos, o crack é, grosso modo, a cocaína em pedra, para ser fumada em cachimbos ou latas. Ao ser tragada, a droga atinge os pulmões e entra na corrente sanguínea instantaneamente, chegando ao cérebro em menos de dez segundos, ao contrário da cocaína em pó, que leva cerca de dez minutos para fazer o trajeto.