Aprovada em pedagogia, deficiente visual busca ajuda para cursar a faculdade PDF Imprimir E-mail
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Sex, 03 de Fevereiro de 2012 10:30

Maria Aparecida Franco, de 35 anos, é um exemplo de vida. Deficiente visual, ela recentemente foi aprovada no vestibular da Faculdade de Ciências Humanas do Sertão Central (Fachusc) no curso de Pedagogia. Classificada na 33ª posição, a pontuação dela foi 401.

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Para alcança os seus objetivos, muitos obstáculos tiveram de ser vencidos. Aos 17 anos, Maria Aparecida foi morar no estado de São Paulo, onde viveu por dez anos. Após voltar para sua cidade natal, Salgueiro, ela sofreu um aborto espontâneo ocasionado por um grande susto. Durante 15 dias, ela passou por três procedimentos médicos e ficou dois dias em coma, chegando a perder muito sangue, o que pode ter acarretado a isquemia do nervo óptico, originando a cegueira.

“Em São Paulo tive a oportunidade de me profissionalizar com cursos de cabeleireiro, depilação e unhas, mas não estava satisfeita. Então decidir voltar para Salgueiro, trazendo na bagagem a experiência profissional, muitos sonhos e projetos. Além disto, eu estava grávida e não sabia. Ter um filho era um sonho”, lembrou Maria Aparecida.

Após adquirir o problema visual, ela decidiu voltar a estudar e encontrou na sala de aula e na busca por novos conhecimentos, a saída para fugir da depressão. “Passei muitos anos fora da escola. Há sete anos voltei a estudar para não cair na depressão. E finalmente, concluir o ensino médio em 2011, na Escola Antônio Vieira”, disse.

Para fazer o vestibular, Maria Aparecida contou que recebeu o incentivo dos amigos e professores. Além das disciplinas vistas na escola, ela se preparou para a prova ouvindo as aulas do Telecurso. No dia do vestibular, duas pessoas acompanharam o processo, sendo um leitor e um fiscal. “Fiquei muito feliz com a notícia de que havia passado no vestibular. Me sentir realizada. Porém eu desejo mais. Meu sonho é cursar Psicologia e eu vou fazer”, disse.

Agora Maria Aparecida terá que enfrentar um novo obstáculo. Apenas com o salário mínimo que ganha de auxílio, ela diz que não terá como arcar com as despesas da faculdade. “Não tenho condições para pagar a matrícula. Já para quitar as mensalidades, tentarei uma bolsa”, falou.

Caso consiga efetuar a matrícula, ela terá novos obstáculos, como o transporte do bairro Santa Margarida até a escola e o material de estudo adequado para sua deficiência. “Como tudo que aconteceu em minha vida, tenho certeza que também irei superar a dificuldade financeira”, concluiu.